No capítulo “O paraíso dos tolos”, do livro Uma Breve História do Progresso, Publicado pela Editora Record em 2007 e traduzido por Carolina Araújo, Ronald Wright fala um pouco sobre algumas sociedades que foram destruídas pelas próprias pessoas que viviam na mesma, por falta de visões do futuro ou por erros cometidos no passado e que foram repetidos anos ou séculos depois.
Nas palavras de Wright a crença foi maior que qualquer coisa envolvendo tais coletividades. Recursos básicos para a sobrevivência estarem sendo usados para a construção de imagens que eram idolatradas por moradores da Ilha de Páscoa, por exemplo, fez com que gerasse guerras que por fim acabaram por destruir completamente tais recursos. Talvez essas sociedades pudessem ter uma vida prolongada se a administração econômica, social e produtora (de recursos) fossem feita de maneira a visar o futuro, e não simplesmente venerar um deus, ou deuses, que traria alegria e sustentabilidade momentânea.
Mais à frente no capitulo, o autor comenta sobre a civilização suméria, que ao longo do tempo as pequenas aldeias se transformaram em pequenas cidades. Cidades estas que depois de anos vieram a se tornar grandes centros divinos, “Os sacerdócios, [...], também cresceram verticalmente, até se tornarem as primeiras corporações completas, com oficias e empregados, assumindo “a tarefa não lucrativa de administrar os Estados divinos”” (p. 87). Esses liderem religiosos ofereciam proteção divina contra desastres naturais a seu povo, mas o que não podiam parar eram guerras atrás de guerras, seja por ideologias ou por comércio. Com o passar dos anos, com a mesma liderança no poder seria obvio que quanto mais rico mais terras e dinheiro você teria, fazendo plebeus simples trabalhadores que sustentariam o estado (isso ocorre até hoje). Mas novamente a super-utilização de recursos, com rebanho ou aragem, fez com que fosse cada vez mais difícil viver, “Onde quer que as árvores originais e o solo tenham sido destruídos pelo corte, pela queima, pelo excesso de rebanho ou pela aragem, o subsolo descoberto torna-se duro no clima seco e age como um telhado do clima úmido. O resultado é enchentes súbitas [...]”.
O texto tem uma enorme gama de referências, o que o torna bastante confiável, o autor utiliza uma escrita precisa, mas com certa dificuldade de entendimento devido a grande quantidade de nome abstratos dos povos antigos. A concepção e opiniões do livro são muito interessantes e mostram o lado trágico de algumas antigas sociedades.
Referencia
WRIGHT, Ronald. Uma breve história do progresso. Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Record, 2007.
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