segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Obstáculos Epistemológicos de Bachelard


         Um grande desafio existente nos dias de hoje, na educação, são os obstáculos que vedam a aprendizagem profunda nas mais variadas áreas. Bachelard nos diz que precisamos superar esses obstáculos para poder haver uma aprendizagem efetiva do conteúdo apresentado, pelo professor e por livros didáticos. 
Alguns obstáculos propostos por Bachelard são: Obstáculos Verbal, que se constitui num ensino através da oratória, Obstáculo da Primeira experiencia, que se baseiam na constituição de um certo experimento, e não na sua função, exemplo: o desenho de um modelo atómico que geralmente só é apresentado ao aluno sua suposta forma, e não como ele se comporta na natureza, Obstáculo do Conhecimento geral, onde uma explicação generalizada não se aprofunda no conhecimento realmente aceito academicamenteexemplo: gravidade, que apenas é descrita como uma força que cria movimento nos corpos, Obstáculo Animismo, que por sua vez dá vida a objetos inanimados, como por exemplo o elétrons, onde é dito que ele é um “carinha” que se movimento ao redor do núcleo atômico. Esses são alguns dos obstáculos, mas poderíamos listas uma infinidade deles a partir das diversas correntes do conhecimento. 
Cada obstáculo tem suas formas de ser contornado, mas isso requer atenção e uma belo escolha de palavras para que ele não seja um empecilho no ensino. Quando falamos que um anticorpo funciona como um guarda no nosso corpo, buscando e eliminando os vírus ou bactérias, damos a ele uma intenção de vontade própria e independente. Isso poderia ser contornado explicando sobre ligações químicas de substâncias. Porém, é possível que um obstáculo leve a outro.  
Para contornar esse problema é necessário saber em que situação e o quão profundo o conteúdo será explicado. No ensino médio a explicação de gravitação dos corpos é superficial e simplista, onde é dito: planetas e estrelas geram uma força gravitacional de aceleração x, e essa força puxa os corpos para baixo. Seria muito mais coerente da seguinte forma: o espaço é constituído por uma malha, que ao receber um corpo de massa x, cria um campo gravitacional de força x. Esse campo é um gradiente de força, quanto mais longe, menor a força, e quanto mais próximo, maior a força. Os objetos ao seu redor são sempre atraídos para o centro desse corpo. Um corpo de massa 10x atrai com um corpo de massa 5x, porém, também ocorre o contrário, no entanto o corpo de massa 10x não sobre um deslocamento tão grande devido ao fato de sua força se sobrepor a força do segundo corpo. 
Cada caso tem de ser analisado em isolado para que novos obstáculos não surjam, tendo também cuidado com analogias e metáforas que podem ser um grande perigo para o ensino se não forem aplicadas de forma precisa e simples.

Resenha do capítulo "O Paraíso dos Tolos" - Uma Breve História do Progresso

No capítulo “O paraíso dos tolos”, do livro Uma Breve História do Progresso, Publicado pela Editora Record em 2007 e traduzido por Carolina Araújo, Ronald Wright fala um pouco sobre algumas sociedades que foram destruídas pelas próprias pessoas que viviam na mesma, por falta de visões do futuro ou por erros cometidos no passado e que foram repetidos anos ou séculos depois.  
Nas palavras de Wright a crença foi maior que qualquer coisa envolvendo tais coletividades. Recursos básicos para a sobrevivência estarem sendo usados para a construção de imagens que eram idolatradas por moradores da Ilha de Páscoa, por exemplo, fez com que gerasse guerras que por fim acabaram por destruir completamente tais recursos. Talvez essas sociedades pudessem ter uma vida prolongada se a administração econômica, social e produtora (de recursos) fossem feita de maneira a visar o futuro, e não simplesmente venerar um deus, ou deuses, que traria alegria e sustentabilidade momentânea.  
Mais à frente no capitulo, o autor comenta sobre a civilização suméria, que ao longo do tempo as pequenas aldeias se transformaram em pequenas cidades. Cidades estas que depois de anos vieram a se tornar grandes centros divinos, “Os sacerdócios, [...], também cresceram verticalmente, até se tornarem as primeiras corporações completas, com oficias e empregados, assumindo “a tarefa não lucrativa de administrar os Estados divinos”” (p. 87). Esses liderem religiosos ofereciam proteção divina contra desastres naturais a seu povo, mas o que não podiam parar eram guerras atrás de guerras, seja por ideologias ou por comércio. Com o passar dos anos, com a mesma liderança no poder seria obvio que quanto mais rico mais terras e dinheiro você teria, fazendo plebeus simples trabalhadores que sustentariam o estado (isso ocorre até hoje). Mas novamente a super-utilização de recursos, com rebanho ou aragem, fez com que fosse cada vez mais difícil viver, “Onde quer que as árvores originais e o solo tenham sido destruídos pelo corte, pela queima, pelo excesso de rebanho ou pela aragem, o subsolo descoberto torna-se duro no clima seco e age como um telhado do clima úmido. O resultado é enchentes súbitas [...]”. 
O texto tem uma enorme gama de referências, o que o torna bastante confiável, o autor utiliza uma escrita precisa, mas com certa dificuldade de entendimento devido a grande quantidade de nome abstratos dos povos antigos. A concepção e opiniões do livro são muito interessantes e mostram o lado trágico de algumas antigas sociedades. 

Referencia 
WRIGHT, Ronald. Uma breve história do progresso. Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Record, 2007.